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Precisão dos retratos falados feitos pelo Instituto de Identificação Civil e Criminal ajuda a solucionar crimes em Rondônia

Sem câmeras de monitoramento e longe do olhar de testemunhas, muitos crimes acontecem assim, o que leva a vítima a não ter esperança de que o criminoso seja localizado e preso. Mas graças ao trabalho de retratistas do Instituto de Identificação Civil e Criminal de Rondônia (IICC), os casos são solucionados através de retratos falados.

A ferramenta que ajuda a identificar autores de crimes através da descrição das características faciais é utilizada no estado desde 2007, quando profissionais do instituto receberam treinamento da Polícia Federal do Distrito Federal para atuar nesta área. Todo o processo é digitalizado com a utilização do programa Horus que possibilita trabalhar com imagens de alta definição.

A retratista Marinalda Souza atua na elaboração de retratos falados desde que o sistema foi criado e é uma das responsáveis por alimentar o banco de dados com recortes de diversas características faciais tendo como base principalmente a população carcerária de Rondônia. Para o diretor do IICC, Júlio André Kasper, é importante que o banco de dados considere as características da população rondoniense. O que, segundo ele, ajuda a ter uma melhor precisão com base na realidade local.

Quanto mais o retrato falado se aproximar da imagem real do criminoso, maior a chance de identificá-lo. Um trabalho minucioso que exige de um lado um profissional competente e capacitado e de outro a colaboração da vítima em conseguir lembrar a imagem do autor do crime. A retratista Marinalda Souza explica que um dos desafios na elaboração do retrato é conseguir ultrapassar a resistência da vítima em lembrar como o crime aconteceu.

‘‘O que é superado com paciência e dedicação. Muitas têm vergonha e sofrem em descrever o que aconteceu. Precisamos ir aos poucos ganhando a confiança delas’’, contou a retratista que revela que o processo de descrição chega a demorar mais de duas horas e em casos em que a vítima esteja muito abalada emocionalmente até dias. Quando a vítima chega ao instituto é encaminhada até uma sala reservada, e quando ficam apenas ela e a retratista o trabalho é iniciado.

O retrato falado começa a ser montado na tela do computador a partir da escolha do rosto. Depois, são colocados olhos, nariz e boca. Também é possível acrescentar disfarces, cicatrizes e acessórios, como o capacete. A projeção de envelhecimento é feita em caso de crimes antigos e de crianças desaparecidas. No final, a vítima ou testemunha que fez a descrição dá uma nota de 0 a 10 do quanto que o retrato falado se aproxima da imagem real do criminoso. Com pontuação acima de 7, o retrato falado é considerado bem avaliado.

De acordo com Kasper, o trabalho das retratistas do Instituto de Identificação Civil e Criminal de Rondônia (IICC) tem conseguido alcançar nota 10 em muitos casos. Para ele, o uso de retratos falados é uma ferramenta importante para as investigações policiais. ‘‘Em um rol de milhares de pessoas com o retrato falado você consegue dar um norte para as autoridades policiais tendo em vista a descrição dada pela própria vítima’’, considera.

A precisão dos retratos feitos pela retratista Liliam Batista, que atua nesta área desde 2013, foi considerada fundamental para solução de um dos casos de maior repercussão em Porto Velho. O caso Ana Beatriz, como ficou conhecido o crime ocorrido em novembro de 2014, foi solucionado graças ao trabalho minucioso da retratista. De acordo com Liliam, a dona de casa Maria Auxiliadora teve a filha Ana Beatriz de apenas três meses raptada por um trio ao aceitar uma carona.

A mulher recebeu golpes de marreta na cabeça e chegou a ficar em coma. Sem testemunhas do que havia ocorrido, o retrato falado feito a partir do que ela lembrava ajudou a polícia a chegar até o trio de criminosos e devolver a criança a mãe. ‘‘Um conhecido deles suspeitou da sumida deles do bairro, viu o retrato falado, achou muito parecido, e foi visita-los, constatou que eram as mesmas pessoas e denunciou a polícia’’, disse Liliam.

Foram dois dias para que a vítima fizesse a descrição de cada um dos criminosos. ‘‘Esses retratos foram a única ferramenta utilizada para chegar até esses infratores’’, destacou a retratista.

Para Liliam, a sensação é de dever cumprido e de alegria em ter ajudado a solucionar o caso.

‘‘Podemos perceber a grande semelhança dos retratos com os envolvidos no crime, a vítima deu pontuação nove para dois deles e 10 para o outro’’, afirmou o diretor.

A retratista Marinalda Souza recorda outro caso também solucionado através de retrato falado. ‘‘ Teve o caso de uma mulher em que um infrator a abordou no ponto de ônibus, 6h, a levou para um lugar afastado da cidade e tentou estuprá-la. Mas não conseguiu porque ela reagiu. Ele bateu com uma pedra na cabeça dela e pensando que estivesse morta jogou ela em uma vala. Depois de 24 horas ela foi encontrada por rapazes que passavam pelo local e a levaram para o hospital. Eu fui até a UTI fazer o retrato falado, esperei o tempo dela para descrever e ela deu 10 para precisão do retrato’’, relatou Marinalda.

COMPETÊNCIA

O setor de retrato falado faz parte da Coordenação de Perícias Papiloscópicas do Instituto de Identificação Civil e Criminal de Rondônia (IICC) de responsabilidade da coordenadora Maria Auxiliadora de Jesus. Na capital há quatro retratistas, mais uma em Ji-Paraná, outra em Ariquemes e em Presidente Médici.

Mas todo o estado conta com esse serviço através do deslocamento destes profissionais onde houver a necessidade de realizar retrato falado. ‘‘São profissionais com conhecimento técnico/cientifico, altamente capacitados, inclusive com cursos ministrados pela Polícia Federal”, disse Kasper.

‘‘Os aspectos físicos gerais específicos e as características distintas de cada pessoa são complicados de descrever. O profissional precisar ter todo um trato para conseguir extrair o máximo da vítima para deixar o mais próximo possível da imagem real e quando no final a vítima dar a nota 9 ou 10, é fantástico para o profissional porque ele realmente conseguiu extrair todas as informações que a vítima podia repassar’’, ponderou o diretor.

O diretor Júlio André Kasper orienta a população rondoniense para que em caso de serem vítimas de crimes que procurem a polícia para fazer o retrato falado.  ‘‘São crimes que geralmente não deixam muitos vestígios, mas a descrição do autor do crime auxilia na investigação. O que deve ser feito o quanto antes porque quanto mais próximo do tempo do crime maior a chance de solução do caso’’, garante. A ferramenta é comumente utilizada em caso de furtos, roubos e crimes sexuais.

Em 2015 foram feitos 41 retratos falados; e em 2016, outros 13. ‘‘Após o término do trabalho dos profissionais esses laudos são assinados e encaminhados por meio de oficio a autoridades policiais solicitantes e a própria autoridade policial dá publicidade por meios eletrônicos, jornais, nos murais das delegacias e até por coletiva de imprensa para a sociedade tomar conhecimento’’, explica o diretor.

A retratista Liliam contou ainda que um dos retratos mais recentes é de um infrator que roubou equipamentos e dinheiro de um sitiante.  O crime aconteceu em novembro do ano passado e a polícia pede a ajuda da população para que o caso seja solucionado. Na galeria montada na recepção do instituto, muitos retratos ainda esperam o reconhecimento para que a Justiça seja feita. As denúncias podem ser feitas às Polícias Civil (197) e Militar (190).

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Fonte
Texto: Vanessa Moura
Fotos: Daiane Mendonça
Secom – Governo de Rondônia

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